Uma avaliação recente realizada pelo Royal Bank of Canada (RBC) chamou a atenção para a condição crítica da atual rede global de transporte marítimo, caracterizada pelo aumento da congestão portuária. Este problema levou a atrasos significativos de navios porta-contentores e a tempos de rotação mais longos nos principais portos em todo o mundo.
Para enfrentar este desafio, a CNBC desenvolveu uma solução inovadora chamada Supply Chain Heat Maps, fornecendo visualizações interativas da eficiência portuária. Como exemplo, o Porto de Oakland nos Estados Unidos está a enfrentar dificuldades substanciais, com os navios a enfrentarem um tempo médio de descarga e carga de 6 dias, e os contentores importados a suportarem uma espera média de onze dias para transporte. Problemas semelhantes são observados nos portos de Los Angeles e Nova Iorque.
Vários fatores contribuem para a desaceleração e estrangulamentos, incluindo confinamentos relacionados com a COVID-19 na China, tensões geopolíticas, aumento dos preços do combustível, instalações terminais inadequadas e ineficiências operacionais. Embora os gestores de terminais tenham controlo limitado sobre questões globais, podem otimizar as suas operações e aproveitar a tecnologia para melhorar os fluxos de trabalho e reduzir o tempo de processamento.
Este artigo enfatiza a importância do software de operação de terminais, explorando as suas principais funcionalidades, possibilidades de integração e o seu potencial para melhorar a produtividade portuária. É importante notar que a discussão foca-se exclusivamente em terminais de carga e não abrange outras atividades portuárias como pesca, ferry-boats ou cruzeiros.
Quais são os principais problemas de operação de terminais?
Os terminais de carga abrangem uma ampla gama de portos e instalações, cada um com as suas características únicas. Embora difiram em tamanho, localização e tipos de carga, as suas funções principais geralmente envolvem o serviço a navios, a movimentação de carga e a facilitação do transporte terrestre. As atividades relacionadas com navios incluem descarga, reparações e reabastecimento, enquanto as operações de carga abrangem carga/descarga, armazenamento e operações de contentores. Além disso, os terminais de carga desempenham um papel crucial na ligação da carga à rede de transporte mais ampla. Apesar destas diferenças, surgem pontos problemáticos comuns em áreas-chave como o cais, o pátio e o portão, exigindo gestão e coordenação eficientes para otimizar as operações do terminal.

Planeamento disruptivo de escalas de navios
Gerir as operações de navios envolve navegar por vários desafios, especialmente em termos de agendamento de janelas de cais, coordenação de equipamentos de carga e descarga com base nas estimativas de tempo de chegada (ETAs), e garantia de comunicação eficaz com as linhas de navegação para facilitar operações suaves.
Resolver estes desafios com sucesso requer um arranjo meticuloso de todos os componentes como peças de um puzzle, otimizando a sequência de atividades de carga e descarga, e mantendo linhas de comunicação abertas com o sistema do transportador para melhorar a eficiência operacional. A complexidade intensifica-se quando se enfrentam atrasos de navios e outras perturbações, levando a desperdício de tempo, combustível e recursos portuários. Como resultado, os operadores devem reagir rapidamente e fazer ajustes necessários na alocação de cais e recursos. Estas tarefas podem ser altamente exigentes sem a assistência de software especializado concebido para este propósito.
Configuração ineficiente do espaço do pátio
A gestão eficiente do pátio do terminal, que serve como uma vasta área de armazenamento, é essencial para garantir a eficácia operacional. Isto envolve abordar várias complexidades, como otimizar a alocação de carga, coordenar equipamentos de movimentação e pessoal, e organizar movimentos de camiões.
Para otimizar as operações do pátio, é necessário estabelecer diferentes áreas de armazenamento e alocar carga com base em operações futuras. Dado o volume significativo de contentores e os diversos tipos de carga tratados pelos terminais diariamente, tentar gerir estes processos manualmente é impraticável.
Portanto, a utilização de sistemas e software automatizados desempenha um papel fundamental na gestão do pátio. Estas ferramentas permitem a alocação eficiente de carga, facilitam a coordenação entre equipamentos de movimentação e pessoal, e ajudam a otimizar os movimentos de camiões, melhorando assim a eficiência operacional geral dentro do terminal.

Arranjo demorado de visitas de camiões (marcação de consultas, concessão de permissões, verificação, etc.)
A gestão do portão é um componente crítico das operações do terminal, focando-se na supervisão do movimento de veículos à medida que entram e saem da instalação. O objetivo principal é permitir o acesso exclusivamente a veículos autorizados, enquanto se verifica a informação da carga no portão. No entanto, realizar estas verificações manualmente não só é demorado, mas também propenso a erros.
Além disso, quando um número substancial de camiões entra e sai do terminal para entrega ou recolha de carga, pode resultar em congestão e estrangulamentos se o fluxo de trabalho não estiver devidamente organizado. Portanto, estabelecer um fluxo eficiente e bem estruturado é essencial para garantir uma gestão eficaz do portão.
Para otimizar as operações do portão, os terminais dependem de sistemas automatizados e tecnologia avançada. Estas ferramentas permitem a verificação rápida e precisa de veículos autorizados e detalhes da carga. Além disso, facilitam um fluxo de tráfego suave através da implementação de roteamento e agendamento otimizados, reduzindo tempos de espera e mitigando potenciais congestões. Ao adotar tais soluções, os terminais podem melhorar a eficiência da gestão do portão, fortalecer medidas de segurança e aumentar a produtividade operacional geral.
Agendamento complicado de pessoal e equipamento
O agendamento eficiente apresenta obstáculos substanciais, especialmente em empresas de grande escala com divisões operacionais diversas. A coordenação perfeita dos horários de pessoal e equipamento dentro de um terminal depende fortemente da pontualidade das chegadas e partidas de navios e camiões. No entanto, integrar estes elementos complexos pode revelar-se desafiante, particularmente quando circunstâncias inesperadas, como avarias de equipamento ou atrasos, perturbam o horário planeado. Tais perturbações podem rapidamente escalar a situação, levando a um ambiente caótico.
Rastreamento ineficiente de carga resultando em carga perdida
Monitorizar eficazmente o fluxo de carga dentro de um terminal é um desafio prevalente e crítico que impacta diretamente a eficiência operacional e a rentabilidade. O rastreamento perfeito das mercadorias ao longo de toda a sua jornada, desde a chegada até à descarga/carga, transbordo e armazenamento, é fundamental para prevenir quaisquer perdas potenciais dentro do ambiente dinâmico e movimentado do terminal.
Faturação imprecisa que leva a receitas perdidas
Os terminais tratam um número significativo de operações faturáveis diariamente para múltiplos clientes. Garantir o registo preciso e a inclusão destes encargos nas faturas pode ser uma tarefa desafiadora quando feita manualmente. O processo manual sobrecarrega frequentemente os operadores com extensa papelada, apesar dos seus esforços dedicados, levando a um risco maior de erros serem introduzidos no sistema.

Fugas de dados em atividades de relatórios e análises
Os operadores de terminais dependem de uma visibilidade abrangente das atividades da sua instalação para garantir operações eficientes. Monitorizar indicadores-chave de desempenho (KPIs) em várias categorias é crucial, incluindo eventos de portão, movimentos de camiões, inventário, operações de navios, produtividade de equipamento, utilização do pátio e demurrage/detention. Gerar relatórios informativos requer recolha de dados de diferentes departamentos, mas as estruturas organizacionais tradicionais muitas vezes impedem a partilha de dados perfeita, levando a fugas de informação e atrasos na comunicação. Para superar estes desafios e permitir uma análise de dados holística, um sistema integrado é essencial.
Na era digital, a tecnologia desempenha um papel fundamental na otimização das operações de terminais. As soluções de software contemporâneas oferecem capacidades avançadas para melhorar o desempenho e a competitividade. Vamos explorar como estas tecnologias modernas podem revolucionar a gestão de terminais.
O sistema de operação de terminais e os seus módulos-chave
Os módulos centrais interligados de um sistema de operação de terminais (TOS) trabalham em sinergia para fornecer uma gama abrangente de funcionalidades. Estes módulos são desenvolvidos para otimizar operações e aumentar a produtividade em terminais de carga e portos. Ao integrar vários componentes, o TOS permite uma coordenação perfeita entre diferentes elementos logísticos, incluindo navios, camiões, gruas, comboios e pessoal portuário. Esta integração facilita o rastreamento em tempo real dos movimentos de carga, a alocação eficiente de recursos e a análise baseada em dados para uma tomada de decisão informada. Através dos módulos centrais interligados, o TOS capacita os terminais para aumentar a produtividade operacional, otimizar processos e fornecer um serviço excecional às partes interessadas.

Gestão de atracação: planeamento de visitas de navios e previsão de ETA
Na indústria marítima, a gestão eficiente de atracações e movimentos de navios é essencial para operações eficazes. A tecnologia de Intercâmbio Eletrónico de Dados (EDI) tem sido tradicionalmente utilizada para troca de informações, incluindo a gestão de atracações. Os transportadores ou agentes transmitem a mensagem BERMAN (gestão de atracação) para o porto, contendo detalhes vitais sobre o navio, requisitos de atracação, operações esperadas e pedidos de amarração. A integração de um Sistema de Operação de Terminais (TOS) é fundamental para garantir a receção e processamento eficazes desta informação. Com o TOS implementado, os operadores de terminais podem sincronizar perfeitamente as atividades relacionadas com navios. Podem agendar eficientemente visitas de navios, gerar movimentos entre terminais (se necessário), coordenar serviços associados e organizar a implantação de rebocadores e pessoal. Para terminais que operam em áreas com variações de maré significativas, um TOS equipado com capacidades de modelação dinâmica de marés é indispensável para a gestão segura e otimizada dos movimentos de navios.
Para aumentar a precisão nas previsões de hora estimada de chegada (ETA), os terminais frequentemente utilizam as suas próprias fontes de dados, além da informação fornecida pelas linhas de navegação. Uma prática cada vez mais comum é a integração com o Sistema de Identificação Automática (AIS), que permite o rastreamento de navios em tempo real. Ao aproveitar os dados do AIS, os terminais podem fazer estimativas de ETA mais precisas, permitindo um planeamento e alocação de recursos eficazes. Esta integração capacita os terminais para otimizar as suas operações com base em informação fiável e atualizada.
Gestão de pátio: organização do movimento de carga e alocação de recursos do terminal
A gestão de pátio envolve a gestão eficiente de carga, equipamento, veículos e pessoal dentro do pátio, sendo crucial para o funcionamento suave de armazéns, terminais e centros de distribuição. O Sistema de Operação de Terminais (TOS) desempenha um papel fundamental na automatização e otimização dos processos de gestão de pátio, como discutido anteriormente. O TOS facilita uma série de tarefas de gestão de pátio, incluindo:
- Definir áreas designadas para diferentes tipos de carga e operações, como carregamento, descarregamento, armazenamento e transbordo, garantindo um fluxo de trabalho organizado e eficiente.
- Alocar e agendar pessoal e equipamento, como gruas automáticas sobre carris (ARMG), gruas de empilhamento automático (ASC), empilhadores, com base nos requisitos operacionais e otimizando a utilização de recursos.
- Utilizar um Sistema de Localização em Tempo Real (RTLS) para rastrear a localização em tempo real do equipamento, permitindo monitorização precisa e implantação eficiente.
Como repositório centralizado de informação, o TOS armazena dados abrangentes sobre carga de entrada e saída, permitindo uma coordenação eficaz de equipamento, pessoal e espaço do pátio. A funcionalidade de planeamento de carga do TOS ajuda a configurar áreas do pátio e a organizar a carga da forma mais eficiente, maximizando a utilização do espaço e considerando restrições de carga para operações subsequentes.
Além disso, ter uma visão em tempo real dos processos do pátio capacita os operadores de terminais para resolver prontamente quaisquer interrupções ou desafios, garantindo operações suaves e resolução atempada.
Gestão de carga: rastreamento, armazenamento e outros serviços
Um Sistema de Operação de Terminais (TOS) serve como um repositório abrangente para gerir a vasta gama de carga que flui utilizando a infraestrutura do terminal. É imperativo que o TOS possua a flexibilidade e versatilidade necessárias para lidar com a diversa gama de tipos de carga encontrados, incluindo contentores de diferentes tamanhos, carga Roll-On/Roll-Off (RORO), carga geral composta por carga seca e carga avulsa com embalagens variadas, carga líquida a granel, toros. Além disso, o TOS deve ser capaz de gerir eficazmente carga especializada, como materiais perigosos IMDG, bens com sensibilidade à temperatura e carga de dimensões excessivas ou forma irregular.

Para melhorar a eficiência nos terminais, modelos matemáticos e heurísticas para alocação de atracação podem desempenhar um papel significativo, especialmente ao considerar atualizações de agendamento de atracação e técnicas de recozimento simulado para otimização. A investigação operacional é aplicada para examinar modelos e métodos de solução que abordam processos complexos de terminais, como a atracação de navios e as operações de gruas de cais. Isto inclui modelos matemáticos destinados à eficiência da cadeia de abastecimento, apoiando a logística de peças com modos de transporte que integram o planeamento da alocação de atracação.
Muitos terminais fornecem capacidades de armazenamento e oferecem serviços adicionais como operações de armazenamento e transbordo de contentores. O TOS desempenha um papel fundamental na facilitação da alocação eficiente de espaço de armazenamento e no monitorização próxima do movimento de carga dentro do terminal. Para aumentar a visibilidade e rastreamento, a tecnologia RFID é comumente empregue, utilizando etiquetas afixadas a itens de carga que são automaticamente identificadas e rastreadas, com a informação pertinente transmitida perfeitamente para a base de dados do TOS. Para uma exploração mais aprofundada das tecnologias de rastreamento, consulte papadimitriou os estudos dinâmicos dos sistemas utilizados.
Além disso, certos portos estendem os seus serviços para incluir operações relacionadas com carga auxiliar, como enchimento e desenchimento, consolidação ou desconcentração de carga e aluguer de contentores. O TOS gere perfeitamente todas estas operações diversas, abrangendo receção de encomendas, execução e faturação precisa, garantindo assim um manuseamento otimizado e eficaz destes serviços, mantendo padrões operacionais exemplares produzidos para editores de navios do país. Soluções híbridas continuam a surgir, permitindo que os portos atendam a demandas em evolução num ambiente de carga dinâmico.
Gestão de portão: controlo de acesso à instalação do terminal
O módulo de gestão de portaria num Sistema de Operação de Terminal (TOS) desempenha um papel crítico na coordenação e monitorização eficiente dos movimentos de veículos no terminal, garantindo a segurança em todos os processos. Engloba várias funcionalidades que contribuem para o funcionamento suave da portaria, apoiando carreiras em logística e tecnologia e o planeamento de alocação de atracação.
Uma das funções primárias do módulo de gestão de portaria é a reserva de veículos. Esta funcionalidade permite aos transportadores agendar compromissos e registar detalhes importantes, como informações do veículo, dados do condutor e especificidades da carga, suportando tanto carga como automóveis. Ao ter esta informação antecipadamente, o processo de verificação durante a chegada torna-se simplificado e acelerado, contribuindo para uma cadeia de abastecimento eficiente e abordando o problema de alocação de atracação com múltiplas restrições.
Para garantir a conformidade com os padrões de segurança, o sistema de gestão de portaria é concebido para aderir ao Código Internacional para a Proteção de Navios e Instalações Portuárias (ISPS). Este código descreve as medidas de segurança necessárias que os portos devem seguir para salvaguardar as suas operações no mundo da logística global, afetando a produtividade e capacidade do porto de contentores em torno da América.
A automatização das operações de portaria envolve a integração de múltiplos componentes e tecnologias. Estes incluem quiosques de autoatendimento para condutores, câmaras de reconhecimento ótico de caracteres (OCR), scanners de identificação por radiofrequência (RFID), dispositivos de intercomunicação, barreiras de segurança automatizadas e ecrãs de informação, facilitando a navegação no terminal para condutores individuais.
Os quiosques de autoatendimento para condutores fornecem uma interface amigável para os condutores completarem os processos de verificação necessários, eliminando a necessidade de procedimentos baseados em papel. As câmaras OCR são usadas para capturar e registar informações importantes do veículo, como matrículas e detalhes dos contentores. Os scanners RFID ajudam na identificação da carga e na gestão eficiente do inventário. As barreiras de segurança automatizadas desempenham um papel vital na regulação do acesso de veículos na portaria, permitindo a entrada apenas a veículos autorizados e melhorando a segurança do terminal. Os dispositivos de intercomunicação servem como ferramentas de comunicação, permitindo interações perfeitas e eficientes entre condutores e pessoal do terminal, promovendo assistência rápida e troca eficaz de informação. Adicionalmente, os ecrãs de informação servem como recursos valiosos, fornecendo aos condutores instruções claras e informação pertinente, contribuindo para uma eficiência operacional melhorada dentro da empresa.
A troca de dados sem interrupções é crucial para a eficácia destas tecnologias de gestão de portaria. A integração com outros módulos dentro do TOS permite a partilha suave de dados relacionados com navios, contentores, veículos, tráfego, suportando o planeamento de atracação e o problema de atribuição para vários tipos de carga. Estes dados podem ser ainda utilizados para análise de tráfego, insights operacionais e tomada de decisões informadas. Todos os direitos reservados.
Módulos financeiros e de relatórios: suportando faturação e análise
Indubitavelmente, as atividades de gestão nos bastidores desempenham um papel fundamental no funcionamento suave das operações do terminal. Um componente essencial é a integração de um módulo de faturação multi-moeda no Sistema de Operação de Terminal (TOS). Este módulo capacita os gestores do terminal para documentar e acompanhar eficientemente todas as operações do terminal faturáveis, fornecendo um registo abrangente e preciso, semelhante a procedimentos num ambiente universitário. Com as suas capacidades para gerar faturas precisas, gerir fluxos de receitas, lidar com tarifas e taxas dinâmicas, e acomodar variáveis estocásticas em dados financeiros, o módulo de faturação torna-se uma ferramenta vital no controlo financeiro e formulação de estratégias para otimização de receitas.
Além disso, o TOS oferece a vantagem de relatórios personalizáveis e análises robustas baseadas em dados para uma melhor compreensão dos fluxos financeiros. Estas funcionalidades fornecem aos gestores do terminal e à sua equipa uma visão holística do desempenho da instalação, permitindo-lhes tomar decisões informadas e estratégicas que poupam custos. A capacidade de descarregar e exportar relatórios em vários formatos padrão, como XML, CSV, PDF, etc., garante a partilha sem interrupções de informação com stakeholders, incluindo reboques usados para insights de logística. Adicionalmente, as plataformas TOS priorizam a segurança ao oferecer diferentes níveis de acesso, salvaguardando a integridade e confidencialidade dos dados.
Funcionalidade adicional: gestão ferroviária
Quando se trata de terminais que fazem parte de uma cadeia de abastecimento intermodal e englobam uma instalação ferroviária adjacente, a integração da funcionalidade de gestão ferroviária torna-se um aspeto crítico. Esta funcionalidade está intricadamente tecida no Sistema de Operação de Terminal (TOS), permitindo o planeamento suave de sequências de carga e descarga de comboios, alocação eficiente de recursos e execução suave de diversas operações relacionadas com ferrovias.
Integrações TOS
Na discussão anterior, enfatizámos a importância da troca de dados sem interrupções num sistema de terminal complexo. Agora, vamos aprofundar as integrações essenciais que desempenham um papel vital na otimização do desempenho do terminal dentro de um Sistema de Operação de Terminal (TOS). No entanto, antes de explorar estas integrações, é importante obter insights sobre as diversas abordagens e metodologias empregues para a sua implementação bem-sucedida.
EDI vs API
Como mencionado anteriormente, a indústria marítima tem tradicionalmente confiado na tecnologia de Intercâmbio Eletrónico de Dados (EDI) para trocar informação relacionada com carga entre portos, linhas de navegação e outros stakeholders. O EDI permite a transferência direta de dados entre sistemas, substituindo métodos mais lentos e menos eficientes, como processos baseados em papel, chamadas telefónicas ou emails.
Os dois padrões EDI primários usados na indústria são UN EDIFACT (comum fora dos EUA) e ANSI (comum nos EUA). O EDI facilita a troca de documentos críticos, incluindo conhecimentos de embarque, manifestos aduaneiros, ordens e confirmações de carga/descarga, instruções de estiva, planos de navio e mais. A integração da funcionalidade de processamento de mensagens EDI tornou-se uma característica padrão em Sistemas de Operação de Terminal (TOSs) modernos, permitindo a partilha automatizada de documentos.

No entanto, como o formato EDI tem sido usado há décadas, grandes transportadores como Maersk, CMA CGM e MSC estão a adotar métodos de integração mais recentes, particularmente APIs (Interfaces de Programação de Aplicações) e o formato de mensagens JSON (JavaScript Object Notation). Esta mudança para APIs e JSON permite uma partilha de dados mais simplificada e eficiente.
Na indústria marítima, uma plataforma de partilha de dados em ascensão que está a ganhar popularidade é a TradeLens, que fornece um conjunto de APIs REST para fins de integração. A TradeLens utiliza tecnologia de blockchain para garantir a segurança dos dados e visa melhorar a colaboração através das cadeias de abastecimento globais. Por exemplo, os transportadores podem partilhar informações como posição do navio, hora estimada de chegada (ETA), conhecimentos de embarque eletrónicos e dados detalhados da carga. Isto permite que os terminais planeiem as suas operações eficazmente, enquanto os expedidores, transitários e consignatários podem facilmente rastrear as suas remessas.
Além de facilitar integrações externas, as APIs estão a ser cada vez mais usadas para conectar sistemas internos dentro de organizações que operam na indústria marítima.
Integrações internas: GOS, RTLS, monitorização de contentores frigoríficos e outras
Os operadores de terminais empregam abordagens diversas para conectar sistemas de software internos, uma vez que cada terminal possui características operacionais distintas e um ecossistema tecnológico próprio. No entanto, existem inúmeras vias para integrar estes sistemas, frequentemente envolvendo o estabelecimento de uma infraestrutura de Internet das Coisas (IoT) que incorpora uma variedade de sensores, dispositivos inteligentes e software interligado para processamento eficiente de dados. Considere os seguintes exemplos:
Sistema de Operação de Portão (GOS): Integrar de forma contínua o seu GOS autónomo, incluindo sensores, câmaras e leitores RFID, com o seu Sistema de Operação de Terminal (TOS) capacita os transportadores terrestres para acederem a informações sobre navios a chegar e registarem os seus veículos e carga. Simultaneamente, pode obter dados abrangentes sobre o fluxo de veículos, permitindo uma supervisão operacional melhorada.
Sistema de Localização em Tempo Real (RTLS): Para garantir o rastreamento eficaz do equipamento de manuseamento do terminal, podem ser utilizadas tecnologias como GPS, DGPS, RFID e Bluetooth. Um RTLS implica o uso de etiquetas ou transponders sem fios fixados às unidades de equipamento, juntamente com leitores estrategicamente posicionados em várias zonas do terminal para receber sinais das etiquetas e determinar as suas localizações precisas.
Sistema de Monitorização de Contentores Frigoríficos: Para terminais que manuseiam carga refrigerada ou congelada, integrar um sistema de monitorização de contentores frigoríficos no TOS proporciona acesso conveniente a informações críticas sobre a carga sensível à temperatura. Isto facilita a gestão eficiente da logística da cadeia de frio e ajuda a garantir a integridade da carga.
Terminais de Dados por Rádio/Móveis (RDT/MDT): Redes sem fios que empregam diversas tecnologias são estabelecidas dentro dos terminais para conectar trabalhadores de campo com operadores de controlo. Dispositivos portáteis, fixos ou montados em veículos equipados com funcionalidade RDT/MDT permitem que o pessoal do terminal receba instruções do TOS e facilite uma comunicação contínua.
Sistemas Financeiros, de Business Intelligence e de Contabilidade Geral: Muitos terminais aproveitam soluções dedicadas de gestão empresarial como SAP, Microsoft Business Central ou o sistema de Planeamento de Recursos Empresariais (ERP) da Oracle para lidar com operações de back-office que abrangem contabilidade, análise, relatórios, vendas, marketing e mais. Estabelecer conectividade robusta entre estes sistemas e o TOS é crucial para a troca de informações contínua e a integração abrangente de dados.
É importante notar que estes exemplos representam apenas uma fração das possibilidades, e os sistemas e tecnologias específicos empregados podem variar dependendo dos requisitos e características únicos de cada terminal.
Integrações externas: companhias marítimas, transitários, fornecedores de dados de rastreamento
Para garantir a sincronização operacional e a troca eficaz de informações, os terminais estabelecem frequentemente ligações com companhias marítimas e transitários utilizando tecnologias como EDI (Intercâmbio Eletrónico de Dados) ou plataformas mais avançadas como TradeLens. Estas ligações permitem que os transportadores marítimos notifiquem os portos sobre as suas visitas e particularidades da carga, enquanto os expedidores e transitários podem reservar contentores vazios. Os terminais podem então confirmar reservas, gerir operações de carga e descarga e realizar várias outras tarefas.
Outra ligação externa vital utilizada pelos terminais é o feed de dados AIS (Sistema de Identificação Automática) mencionado anteriormente. Este feed de dados fornece informações atualizadas sobre as posições dos navios e outros dados relacionados com a marinha. Desempenha um papel crítico no rastreamento de navios e carga, na estimativa precisa de horas de chegada (ETA) e na gestão eficiente de atracações. Fornecedores bem estabelecidos que oferecem APIs robustas para aceder a dados AIS incluem MarineTraffic, Vessel Finder e AISHub.
Fornecedores populares de TOS
Não promovemos nenhum dos fornecedores de TOS, mas queremos dar uma breve visão geral dos produtos mais populares no mercado para lhe dar uma ideia das opções existentes.
- ContPark: ContPark é um sistema automatizado de gestão de terminais de contentores concebido para otimizar processos internos e atribuir tarefas entre o pessoal de serviço. Facilita a interação do cliente com despachantes dentro de um espaço de informação unificado e trata do recebimento de contentores, pedidos de descarga e geração de relatórios. O software permite que o departamento de contabilidade calcule rapidamente os preços dos serviços, e os clientes podem aceder a estatísticas dinâmicas de stock e parâmetros dos contentores.
- Navis: Navis oferece uma gama de soluções tecnológicas baseadas na nuvem para execução e visibilidade da cadeia de abastecimento. Os seus produtos incluem gestão de pátio, gestão de transportes, operações de manutenção e reparação, sistemas de operação de terminais e soluções para transportadores marítimos e navios. Navis visa abordar ineficiências e lacunas de dados na cadeia de abastecimento global através da consolidação de ativos de software em nós e modos-chave.
- CARGOES: CARGOES, desenvolvido pela DP World, é um conjunto de produtos de logística de próxima geração que aproveita a aprendizagem automática e a tecnologia IoT. Atende a vários participantes do comércio global, como transitários, agências alfandegárias, importadores e exportadores. CARGOES fornece um portfólio de serviços e produtos de logística adaptados às necessidades específicas destas partes interessadas.
- CATOS: CATOS (Sistema de Operação de Terminal Automatizado por Computador) da Total Soft Bank Ltd. é uma solução completa e fácil de usar para operações de terminal. Consiste em três módulos: Planeamento, que ajuda a agendar operações relacionadas com atracações, pátio e navios; Operação, que monitoriza e controla operações em tempo real; e Gestão, que suporta fluxos de trabalho de faturação, relatórios e análise.
- TBA Group: TBA Group especializa-se em soluções de automação para portos, armazéns e plantas industriais. O seu Autostore TOS é um software de gestão concebido para terminais de contentores, enquanto o CommTrac TOS facilita operações de carga a granel e carga geral. Estas plataformas, disponíveis no local ou na nuvem, oferecem funcionalidades como gestão de pátio e ativos, sistemas de reserva de veículos, módulos de planeamento dinâmico e funcionalidade de faturação.
- RBS: Realtime Business Solutions (RBS) desenvolve aplicações de software para a Indústria de Manuseamento de Contentores. O seu TOPS Expert Enterprise é uma plataforma no local, e o TOPS Expert Cloud opera num modelo pay-as-you-go. Estas soluções incluem módulos de gestão e otimização para várias operações de terminal, desde processos de portão até faturação. Módulos opcionais podem ser adicionados com base em requisitos específicos.
Por favor, note que estes são apenas alguns exemplos, e existem muitos outros fornecedores de TOS disponíveis no mercado, cada um oferecendo funcionalidades e características únicas para se adequar a diferentes necessidades empresariais.
Comprar, construir ou modernizar?
Existem várias opções a considerar ao escolher um Sistema de Operação de Terminal (TOS). Cada opção tem as suas próprias vantagens e considerações com base nas suas necessidades específicas e recursos disponíveis.
Quando construir: Se necessitar de uma solução altamente personalizada que se integre perfeitamente no seu fluxo de trabalho, construir um TOS do zero pode ser a melhor opção. No entanto, tenha em mente que desenvolver um sistema proprietário desta magnitude pode ser um projeto demorado e dispendioso.
Quando comprar: Se achar que as soluções TOS existentes no mercado podem satisfazer as suas necessidades com personalização mínima, comprar uma solução pronta a usar pode ser a escolha mais eficiente. No entanto, algum grau de afinação e integração no seu ecossistema tecnológico existente ainda será necessário.
Quando modernizar: Se já tiver um TOS implementado, mas este for baseado em tecnologias desatualizadas ou carecer de certas funcionalidades que necessita, um projeto de modernização gradual pode ser adequado. Isto permite-lhe melhorar o seu sistema de forma incremental sem perturbar as operações em curso.
Em qualquer abordagem que escolha, considere aproveitar tecnologias modernas como a aprendizagem automática para melhorar os processos de planeamento, análise e tomada de decisão. Embora possam existir custos associados, aproveitar o poder dos dados pode proporcionar uma vantagem competitiva significativa no mundo de hoje.
Em última análise, a decisão entre comprar, construir ou modernizar um TOS deve basear-se numa avaliação completa dos seus requisitos específicos, recursos disponíveis e objetivos a longo prazo.